Um dinheiro todo seu

Se você é mulher, é muito provável que ninguém tenha ensinado a você as melhores práticas de como se relacionar de uma forma saudável com dinheiro. Por exemplo, como ter autonomia para decidir sobre as suas finanças e, menos ainda, como dinheiro é a principal garantia de uma vida independente. Devem ter, no máximo, orientado você a gastar menos do que ganha, a poupar uns 10% do seu salário, a não usar cheque especial bancário.

Minha relação com dinheiro mudou drasticamente desde que comecei a trabalhar na Warren – uma empresa que tem como objetivo principal descomplicar o mundo do dinheiro. Com menos burocracia e financês, oferecendo no Brasil o modelo utilizado pelos super-ricos no exterior. Transparência no processo, educação para todos e clientes no centro das decisões dão norte para o trabalho que mais de 400 pessoas, eu inclusa, fazem diariamente. Mas não quero evangelizar vocês a acreditarem na empresa que “gasto” a minha energia de vida. Escrevo para contar como, em um ambiente assim, foi possível deixar de ter medo de falar sobre dinheiro, de lidar com dinheiro, de encarar os boletos mensais sem surpresas – ou prevenida caso algo imprevisível aconteça.

Foi na Semana das Finanças Femininas, curso gratuito que disponibilizamos nos primeiros dias de março, com algumas das mulheres mais influentes do Brasil explicando o que você pode fazer para ter mais dinheiro (logo, se preocupar menos com dinheiro!) e sem depender de ninguém. A palestra que mais me tocou foi a da incrível Maria Homem, psicanalista que admiro – é criadora do maior canal no YouTube sobre psicanálise. Quando perguntaram para Maria qual a relação entre independência feminina e dinheiro, a resposta dela foi direta: “Não existe independência feminina se uma mulher não tiver o próprio dinheiro”. Em seguida, ela recomendou a leitura de um ensaio clássico da escritora Virginia Woolf, o livro ‘Um teto todo seu’, que começou a ser elaborado em 1928 – com ideias tão difíceis de entrarem na cabeça da nossa sociedade, desigual com as mulheres, que poderia ter a data da primeira edição no atual ano. Devorei o livro!

Virginia fala que na sua “insignificante” opinião, “toda mulher precisa ter dinheiro e um teto todo seu. O dinheiro, omitido do título do livro e com frequência da citação, vai além do pagamento propriamente dito. Tem a ver com autonomia – com não precisar prestar contas a ninguém. Por que, quando pensamos em herança, associamos isso a um legado masculino e patriarcal? A pobreza do sexo feminino, historicamente escanteado, é real. O que estavam fazendo nossas antepassadas que não tiveram nenhuma riqueza para nos legar? Trabalhando arduamente; mas não estavam aprendendo a grande arte de ganhar dinheiro e deixar seu dinheiro para as mulheres da família – proporcionando estudos apropriados às gerações femininas; e condições de nos posicionarmos no mercado de trabalho com as mesmas habilidades profissionais que homens. Assim, perdemos vagas até quando fomos permitidas a poder começar a concorrer por vagas! Perdemos para homens sem qualquer qualificação, salvo o fato de não serem mulheres.

É impressionante a mudança de ânimo que uma renda fixa promove. Que um planejamento financeiro desperta. A autoconfiança. E mulheres autoconfiantes não são facilmente diminuídas ou oprimidas diante do machismo – em uma cultura que, há 200 anos, repete a frase de Darwin (sim!) que “a melhor dentre as mulheres é intelectualmente inferior ao pior dentre os homens”.

Vamos parar de nos iludir: a liberdade intelectual depende de coisas materiais. O direito de ir e vir depende de termos um espaço de privacidade nosso; para repouso, para criarmos, sem interrupções. Depende de tempo para o autoconhecimento e para o lazer. Convido vocês a se informarem sobre o simbolismo e a praticidade do dinheiro para as mulheres. E, assim, garantir que a gente tenha uma real independência em pleno século XXI.